Semi Salomão com troféu do FICC

Carreira · 1996–2026

Uma vida transformando imaginação em cinema.

Direção, atuação, roteiro, desenho, música e pesquisa visual reunidos em uma trajetória singular, construída obra após obra.

O olhar veio antes da câmera.

Nascido em 30 de maio, em Apucarana, Semi Salomão encontrou no desenho a primeira forma de tornar visíveis os personagens e mundos que imaginava. Quando a família adquiriu uma câmera no fim de 1994, aquele impulso ganhou movimento, voz e duração. A imagem deixou de ser apenas registro e tornou-se linguagem.

Nos anos seguintes, papel, placas de vidro, luzes, miniaturas, cenários domésticos e equipamentos analógicos formaram um laboratório completo de criação. Semi desenhava, filmava, interpretava, dublava e montava. O domínio de tantas etapas não era dispersão: era o nascimento de um autor capaz de conduzir uma obra do primeiro traço à imagem final.

Sua filmografia percorre terror, ficção científica, comédia, espiritualidade, memória e história sem abandonar uma marca própria: atmosferas intensas, personagens reconhecíveis, pesquisa simbólica e a capacidade de converter lugares e experiências em universos cinematográficos.

Ao longo de três décadas, novas câmeras e tecnologias ampliaram as possibilidades, mas o princípio permaneceu intacto. Cada produção nasce do mesmo gesto original — observar, imaginar e construir uma imagem que só poderia pertencer ao cinema de Semi Salomão.

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Semi Salomão jovem filmando com câmera VHS
1995 · O primeiro olharA câmera VHS como extensão da curiosidade e início de uma linguagem visual própria.

Prólogo

Desenhar, filmar, apagar, redesenhar.

Antes dos longas, cada personagem exigia observação e paciência. A animação era registrada quadro a quadro; a câmera apoiada sobre livros; as vozes interpretadas pelo próprio criador. Esse processo artesanal estabeleceu uma relação direta entre desenho, atuação e direção que atravessaria toda a carreira.

Semi Salomão registrando desenhos quadro a quadro
Desenho em movimentoCriação artesanal registrada com câmera VHS.

Linha do tempo

Três décadas, uma identidade.

Cada capítulo amplia a escala, a técnica e o alcance da obra sem romper com sua origem.

Efeito visual criado para Minas — Fenômenos Místicos, 1997
Efeito visual criado para Minas — Fenômenos Místicos, 1997
011996–1999

O desenho encontra a câmera

Festival Esmair, apresentado em 1996, reuniu desenho quadro a quadro, filmagem e dublagem de personagens. Logo depois, Viagem a Minas Gerais e Minas — Fenômenos Místicos transformaram viagens, lendas, ufologia e efeitos de luz em matéria narrativa. Vieram ainda o Rallye de Regularidade, entrevistas com personalidades e trabalhos educativos: um período fértil em que observação, humor e invenção formaram o primeiro vocabulário do artista.

Semi Salomão com câmera profissional no início dos anos 2000
Semi Salomão com câmera profissional no início dos anos 2000
022000–2003

Do primeiro longa à televisão

Aos 17 anos, Semi escreveu, dirigiu e protagonizou O Reencarnado. Gravado com câmera JVC VHS compacta e montado de forma linear com dois videocassetes, o longa reuniu ação, misticismo e vidas passadas. Sua estreia no Cine Apucarana mobilizou uma fila por vários quarteirões e arrecadou mais de uma tonelada de alimentos. Na sequência, a televisão ampliou sua presença como repórter, apresentador, ator e criador de personagens — do Telerepórter à série Rádio Juca Pingado.

Capa de Jeito de Ser: Semi Salomão como ator e personagem
Capa de Jeito de Ser: Semi Salomão como ator e personagem
032004–2010

Uma assinatura reconhecida

A Bruxa do Cemitério projetou nacionalmente uma linguagem que combina atmosfera, personagens populares e terror. Histórias do Sobrenatural, Hotel América, Envolvimentos Perigosos e A Bruxa do Cemitério 2 ampliaram gêneros e escalas. Em Mestre Salomão, filmagens na Chapada dos Veadeiros, Brasília, Serra do Roncador e em território Xavante aprofundaram uma pesquisa sobre espiritualidade e paisagem. Em 2008, o conjunto da trajetória recebeu Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Apucarana.

Babi Xavier entrega um dos troféus a Semi Salomão no FICC
Babi Xavier entrega um dos troféus a Semi Salomão no FICC
042011–2018

Transformação e reconhecimento

Depois de atuar em Calisse, do cineasta francês François Villa, Semi levou a pesquisa de interpretação ao limite em Eu Sou Rio, no qual viveu 51 personagens. O Iniciado — A Primeira Montanha aprofundou símbolos, ritos e cenografia. Em Jesus, a Esperança, dirigiu uma realização de grande escala com mais de 500 participantes. Selecionado entre mais de 300 produções, o filme conquistou no FICC os prêmios de Melhor Direção e Melhor Figurino.

Apucarana — Cidade Oculta, 2026
Apucarana — Cidade Oculta, 2026
052022–2026

Memória, território e futuro

A Última Locadora converteu a memória afetiva dos anos 1980 em universo cinematográfico. Semi também seguiu atuando em obras de outros realizadores, entre elas Luzes no Campo e Um Amigo para Silas. Em Apucarana — Cidade Oculta, história regional, memória familiar, suspense e novas tecnologias de pós-produção se encontram. Paraná Além projeta essa pesquisa para uma série dedicada às lendas e aos mistérios paranaenses.

Semi Salomão observando o próprio reflexo no espelho
O olhar, a identidade e o personagem

Ator, diretor e observador

Olhar por dentro da cena.

A interpretação sempre esteve ligada à direção. Observar rostos, gestos, silêncios e transformações permitiu a Semi compreender a cena tanto diante quanto atrás da câmera.

Em Eu Sou Rio, essa pesquisa atingiu um ponto singular: 51 personagens interpretados no mesmo longa. A multiplicidade de corpos e vozes revela um artista que transforma a própria presença em instrumento narrativo.

Cinema em construção

Encontros, bastidores e paisagens.

A carreira também se forma fora do quadro final: na preparação, nas viagens, nas conversas e nos instantes em que uma equipe transforma intenção em imagem.

Reconhecimento

Direção e figurino premiados.

Jesus, a Esperança reuniu preparação de elenco, cenários históricos, figurinos e mais de 500 participantes. A realização conquistou no FICC os prêmios de Melhor Direção e Melhor Figurino — síntese de uma visão construída com rigor, presença e colaboração.

Arquivo de criação

As primeiras experiências preservadas.

Cartazes, registros, personagens e imagens das produções que antecederam os longas agora formam um acervo organizado — uma memória visual do caminho que começou em 1996.

Explorar o acervo
Apucarana — Cidade Oculta

Presente e futuro

A obra continua em movimento.

Apucarana — Cidade Oculta aproxima memória familiar, história regional, suspense e novas tecnologias. O futuro não rompe com a origem: amplia tudo o que vem sendo construído desde os primeiros desenhos.

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